Homenagem ao trabalhador rural
O homem próximo da natureza não é um escravo. O homem
de mãos calejadas. Suor no rosto. Pés descalços. O homem
que olha pra o céu é um ser livre. Recebe a eterna energia de
Deus, que faz intermediário entre Ele e a Terra. Matéria que
nosso espírito anima.
Jardineiro, esse é o seu nome verdadeiro.
Bem-aventurado aquele que conhece esse caminho florido.
Caminho oposto à destruição e à violência. Bem-aventurado
aquele que ganha a vida com a vida.
Seu nome é lavrador, boia-fria, posseiro, sem-terra.
Só quem ama a Terra reconhece os valores materialistas de
poder, lucro, posse, gana, egoísmo.
Ele olha para o céu. Esse é seu ritual sagrado. Se alimenta do
céu para alimentar a terra, cavar o chão, acariciar a planta é
que alimentará multidões oprimidas nas grandes cidades.
Ele está dizendo: este é o caminho. Quem ama a natureza
reconhece os outros como irmãos. Irmão cafezal, irmão
milharal, irmão rio, irmão sol, irmã chuva, irmãzinhas flores.
Ele está dizendo: este é o Caminho. Feito do Tempo, que nos é
dado de Graça.
Quem reconhece seu valor?
Quem louva e beija as suas mãos abençoadas?
Apesar da dura vida, trabalho bruto, insegurança no trabalho,
mal pago, humilhado e sofrido é seu nome - escravo.
Ele tem o coração cheio daquilo que o dinheiro não pode
comprar. Tem um segredo, brilhante como pedra preciosa.
Perfeito como ouro.
Esse segredo que o torna artista é o mesmo que torna o artista
um lavrador, que cultiva a forma bruta do cimento e do ferro é
para comungar com todos a Sagrada Dádiva da Vida.
Disponível em: http://www.joaowerner.com.br/textos-sobre-joao-werner/texto-de-jose-julioazevedo- sobre-escultura-de-joao-werner.htm. Acessado em 12/03/2015
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