[01] No desequilíbrio dos mares,
[02] as proas giram sozinhas…
[03] Numa das naves que afundaram
[04] é que certamente tu vinhas.
[05] Eu te esperei todos os séculos
[06] sem desespero e sem desgosto,
[07] e morri de infinitas mortes
[08] guardando sempre o mesmo rosto
[09] Quando as ondas te carregaram
[10] meu olhos, entre águas e areias,
[11] cegaram como os das estátuas,
[12] a tudo quanto existe alheias.
[13] Minhas mãos pararam sobre o ar
[14] e endureceram junto ao vento,
[15] e perderam a cor que tinham
[16] e a lembrança do movimento.
[17] E o sorriso que eu te levava
[18] desprendeu-se e caiu de mim:
[19] e só talvez ele ainda viva
[20] dentro destas águas sem fim.
Cecília Meireles, “Canção”
A partir do poema “Canção”, considere as seguintes afirmações:
I. Os versos Eu te esperei todos os séculos (verso 05) e e morri de infinitas mortes (verso 07) lançam mão da figura de linguagem conhecida como hipérbole.
II. Na última estrofe E o sorriso que eu te levava/desprendeu-se e caiu de mim:/e só talvez ele ainda viva/dentro destas águas sem fim, o eu lírico sinaliza uma superação das suas dores amorosas.
III. A referência a “estátuas”, no poema, nos faz classificar “Canção” como um poema parnasiano tardio.
Assinale a alternativa correta: