[1] Na história de filosofia antiga, há um subenredo oculto: o gradual surgimento de um Deus
[2] maiúsculo e único, que dê sentido a tudo que existe. Na Grécia pagã, gerações sucessivas de
[3] pensadores desenvolveram uma espécie de monoteísmo filosófico; Zeus, o senhor dos imortais na
[4] mitologia grega, cedeu lugar a hotheos, “o Deus”, entidade racional e infinita das teorias filosóficas.
[5] Essa divindade impessoal e assombrosa já se deixava entrever nas Formas platônicas e na busca
[6] socrática por um Bem absoluto e final; mas é na Metafísica de Aristóteles que o Ser supremo emerge
[7] e ocupa, de forma triunfante, o centro da filosofia. Com a emergência do cristianismo, entre os séculos
[8] 1 e 3 d.C., o Deus dos filósofos foi se fundindo com a divindade das tribos de Israel: o “motor imóvel”
[9] de Aristóteles absorveu a personalidade daquele senhor austero, cuja voz ecoava nos desertos do
[10] Velho Testamento, entre as chamas de sarça seca, dizendo de forma enigmática e simples: eu sou o
[11] que sou.
BOTELHO, José Francisco. A odisseia da filosofia: uma breve história do pensamento ocidental. São Paulo: Abril, 2015.
Sobre pontuação, assinale a alternativa INCORRETA.