[1] − Quer assunto para um conto? – perguntou o Eneias, cercando-me no corredor.
Sorri.
− Não, obrigado.
− Mas é assunto ótimo, verdadeiro, vivido, acontecido, interessantíssimo!
[5] − Não, não é preciso... Fica para outra vez...
− Você está com pressa?
− Muita!
− Bem, de outra vez será. Dá um conto estupendo. E com esta vantagem: aconteceu... É só florear um pouco.
− Está bem...Então...até logo...Tenho que apanhar o elevador...
[10] Quando me despedia, surge um terceiro. Prendendo-me à prosa. Desmoralizando-me a pressa.
− Então, que há de novo?
− Estávamos batendo papo... Eu estava cedendo, de graça, um assunto notável para um conto. Tão bom, que até comecei
a esboçá-lo, há tempos. Mas conto não é gênero meu − continuou o Eneias, os olhos azuis transbordando de
generosidade.
[15] − Sobre o quê? − perguntou o outro.
Eu estava frio. Não havia remédio. Tinha que ouvir, mais uma vez, o assunto.
− Um caso passado. Conheceu o Melo, que foi dono de uma grande torrefação aqui em São Paulo, e tinha uma ou várias
fazendas pelo interior?
Pergunta dirigida a mim. Era mais fácil concordar.
(In: Omelete em Bombaim, 1946. Disponível em: www.academia.org.br)
É correta a seguinte observação: