19 de abril [1888]
Lá se foi o barão com a alforria dos escravos na mala. Venha, que é tempo. Ainda me lembro que lia na Europa, a nosso respeito, por ocasião da famosa proclamação de Lincoln. Mais de um jornal fez alusão nominal ao Brasil, dizendo que restava agora que um povo cristão e último imitasse aquele e acabasse também com seus escravos. Espero que hoje nos louvem. Ainda que tardiamente, é a liberdade, como queriam a sua os conjurados de Tiradentes.
7 de maio [1888]
O ministério apresentou hoje à Câmara o projeto de abolição. É a abolição pura e simples. Dizem que em poucos dias será lei.
13 de maio [1888]
Enfim, lei. (...) confesso que senti grande prazer quando soube da votação final do Senado e da sanção da Regente. Estava na Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria geral.
(Machado de Assis. Memorial de Aires. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Obra completa, v. I, 1986, p. 1117-18)
O movimento que tornou a abolição um fato inevitável e contribuiu para que a Lei, referida no texto de Machado de Assis, fosse aprovada em 1888,