3 de julho – Amanhecemos, pleno Madeira, no porto de lenha Sto. Antônio. Rio bem mais habitado. Casaria gostosa, melhor que a do Solimões. Estou bem divertido, ouço os curumins de bordo brincando no salão. Arrastam cadeiras e um diz: – Eu sou a Amazon River! Outro grita depressa: – Eu sou a Madeira-Mamoré! – Ora Josafá, não podes ficar na minha frente não! Aí é Porto Velho! Brincam assim, e de repente a melancolia me bate. Virei vagão de luxo da Paulista, estrada de rodagem, pé de café, telefone: cidade 5293, vontade de estar em casa.
(Mário de Andrade. O turista aprendiz, 2002. Adaptado.)
Mário de Andrade escreveu o diário de sua viagem pela Amazônia em 1927, publicado em primeira edição em 1943.
O texto faz um resumo histórico do conteúdo da viagem, em que se contrapõem