A alforria como doação é uma esperança que todo escravo pode ter, mas que relativamente é a sorte de muito poucos. Nessa loteria quase todos os bilhetes saem brancos; a probabilidade é vaga demais para servir de base sólida a qualquer cálculo de vida e de futuro. A generalidade de nossos escravos morre no cativeiro; os libertos sempre foram exceções. Ponha-se de lado essa esperança de que o senhor lhe dê a liberdade, esperança que não constitui um direito; que porta há na lei para o escravo sair do cativeiro? [...] Fora dessas esperanças, fugitivas todas, mas que o abolicionismo há de converter na maior parte dos casos em realidade, que resta aos escravos? Absolutamente nada.
(Joaquim Nabuco. O abolicionismo, 2012.)
A obra O abolicionismo foi publicada em primeira edição em 1883.
No texto, Joaquim Nabuco sustenta, implicitamente, que o movimento abolicionista