A Antiguidade greco-romana constituíra sempre um universo centrado nas cidades. O esplendor e solidez da antiga polis helênica e da posterior República Romana representaram um meridiano de organização e cultura urbanas que nunca seria igualado em nenhum outro milênio. Contudo, ao mesmo tempo, este friso de civilização urbana teve sempre algo do efeito de fachada sobre a sua posteridade, pois por detrás desta cultura e organização não havia uma economia urbana que se lhe comparasse: pelo contrário, a prosperidade material que sustentava a sua vitalidade intelectual e cívica provinha em proporções esmagadoras do campo.
(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao feudalismo, 1982. Adaptado.)
Em relação às cidades na Antiguidade clássica, o historiador apresenta um paradoxo, caracterizado