A arquitetura da cana-de-açúcar
Os alpendres das casas-grandes
de par em par abertos, anchos,
cordiais como a hora do almoço,
apesar disso não são francos.
O aberto alpendre acolhedor
no casarão sem acolhimento
tira a expressão amiga, amável
do que é fora e não dentro:
dos lençóis de cana, tendidos,
postos ao sol até onde a vista,
e que lhe dão o sorriso aberto
que disfarça o que dentro é urtiga.
(João Cabral de Melo Neto)
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira)
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor contar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus!
(Carlos Drummond de Andrade)
Em relação aos três poemas, assinale a alternativa CORRETA.