A chaga do analfabetismo, hoje, transformado em alfabetização precária, acompanha a vida republicana brasileira desde sempre. Em seu recente A capital da vertigem – Uma história de São Paulo de 1990 a 1954 (Objetiva, 2015), Roberto Pompeu de Toledo lembra em capítulo dedicado ao censo de 1940 que os analfabetos em todo o Brasil, considerando a população de 5 anos ou mais, eram 60% do total.
No já mais desenvolvido Estado de São Paulo, eram 47%. Problemas como a evasão e a repetência na escola primária faziam com que, de 138.204 crianças ingressantes nas escolas da cidade de São Paulo em 1934, apenas 18.024 concluíssem os quatro anos em 1937, segundo dados do Anuário Estatístico do Estado de São Paulo. Ou seja, 87% dos estudantes haviam saído do sistema ou constituíam-se em representantes do que anos depois viria a se chamar de distorção idade-série.
Em 2015, ano em que a República completa 126 anos, ainda patinamos na garantia dessa condição mais óbvia e seminal para os novos indivíduos. Se o número de analfabetos totais hoje está abaixo dos dois dígitos, criamos a espantosa cifra de 32% de universitários que se enquadram na categoria de alfabetismo básico, segundo a classificação do Inaf.
BARROS, Roberto. Velho conhecido. Carta ao Leitor. Revista Educação, ano 19 – nº 221. Set.2015.
Com base no texto, conclui-se que