A corrida para o ouro fundará cidades, lastreará um novo ciclo da colonização, que será erguido, porém, sobre a cobiça, a opressão, a barbárie. É a hora de a poesia dizer:
"Mil galerias desabam;
mil homens ficam sepultos;
mil intrigas, mil enredos,
prendem culpados e justos.
Já ninguém dorme tranquilo,
que a noite é um mundo de sustos.”
A história vai correndo, e há quem conte, se é historiador da máquina econômica, quanto ouro foi arrancado aos socavões de Vila Rica, quanto chegou ao reino, quanto passou às mãos dos mercantes da astuta Inglaterra. A lírica, porém, pede momentos de contemplação, e pode focalizar o caso de uma donzela assassinada por um pai que sofre vê-la enamorada de um jovem de condição desigual; e de ouro é feito o punhal, arma do crime.
(Adaptado de Alfredo Bosi, Céu, Inferno. São Paulo: Duas Cidades, 2003, p. 142-43)
O crítico Alfredo Bosi está aqui considerando a maneira como Cecília Meireles,