A deficiência central da Doutrina de Segurança Nacional está no fato de que ela nada teve de doutrina, muito menos de ideologia. Exagerar a importância do que seria uma astuciosa ideologia específica da “Revolução Redentora de 31 de março de 1964” faz que se veja racionalidade onde não houve. Tome-se o caso da interferência de militares ligados ao Serviço Nacional de Informações no projeto de desmatamento da floresta que deveria ser coberta em 1980 pelo lago da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Se a operação tivesse dado certo, caberia como uma luva a explicação segundo a qual negócio tão lucrativo foi entregue a militares da reserva porque isso fazia parte do projeto de fortalecimento do poder do Estado na Amazônia. Deu errado e, em 1985, custara ao país cerca de 30 milhões de dólares. Tudo se resumia a uma negociata envolvendo meia dúzia de espertalhões ligados ao SNI.
(Elio Gaspari. A ditadura envergonhada, 2003. Adaptado.)
O autor faz uma crítica ao regime militar no Brasil (1964- 1985), argumentando que