A desagregação do regime escravocrata e senhorial
operou-se, no Brasil, sem que se cercasse a destituição dos
antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias
que os protegessem na transição para o sistema de trabalho
livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela
manutenção e segurança dos libertos, sem que o estado, a igreja
ou outra qualquer instituição assumissem encargos especiais
para prepará-los para o novo regime de organização da vida e do
trabalho. [...]
Em suma, a sociedade brasileira largou o negro ao seu
próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade
de reeducar-se e de transformar-se para corresponder aos novos
padrões de ideais de homem criados pelo advento do trabalho
livre, do regime republicano e do capitalismo.
FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. 5. ed. São Paulo: Globo, 2008.
O abandono e o descuido para com esse grupo étnico, descrito por Florestan Fernandes, podem ser apontados nos dias atuais como responsáveis