A expressão “fanatismo” foi empregada por militares, médicos e jornalistas não só para o movimento do Contestado, mas para uma série de movimentos sociais rurais que criaram uma linguagem própria, diferente da praticada pela intelectualidade e pelas classes médias das capitais e do litoral. Além da deliberada intenção de desqualificação e infantilização dos sertanejos, mesmo os autores antigos que procuravam entender de forma próxima as razões dos rebeldes, como o Major Matos Costa, só conseguiam ver ignorância e abandono. Novos estudos sobre os movimentos sociais rurais, em geral, e do Contestado, em particular, condenam todas as visões que só pensavam o mundo rural como espaço de carências e miséria, e não compreendiam a cultura, a vida e os sonhos dos sertanejos.
PAULO PINHEIRO MACHADO Adaptado de cpdoc.fgv.br, 04/09/2012.
Ao criticar determinadas interpretações sobre conflitos rurais como o Contestado (1912-1916), o historiador propõe a necessidade de compreender aspectos associados à vida cotidiana dos protagonistas desses episódios.
Nessa perspectiva, duas explicações para a eclosão desse conflito foram: