ENEM/OBJ 2025 · Questão 8
A festa, portanto, era também uma fresta, espaço comunitário que subvertia a sujeição dos corpos à lógica produtivista do mercado e à normalização dos comportamentos exigidos pelos novos tempos, ditos civilizados. Festeiros e festeiras tradicionais compareciam em massa à casa para pedir a bênção, no mais das vezes levando a filharada no colo. Daí ser natural a presença recorrente de uma meninada irrequieta e barulhenta, criada de pés descalços e familiarizada desde o berço ao som dos atabaques. Caso, por exemplo, dos pequenos João, José e Ernesto.
O primeiro era filho de Perciliana Maria Constança, a Tia Perciliana, exímia tocadora de pandeiro. O segundo, de uma imigrante portuguesa, Graciliana, e um negro pintor de painéis murais em clubes e botequins, Tené. O terceiro, de Amélia Silvana de Araújo, a Tia Amélia, casada com um pedreiro, Pedro Joaquim, tocador de bombardino nas horas vagas.
Aquele trio de pirralhos jamais passaria à posteridade pelos nomes de batismo – e menos ainda pelos respectivos sobrenomes. A menção às identidades de João Machado Guedes, José Barbosa da Silva e Ernesto Joaquim Maria dos Santos hoje pouco ou quase nada significa. Eles se tornariam célebres mesmo com seus prosaicos apelidos de infância: João da Baiana, Sinhô e Donga.
NETO, L. Uma história do samba (As origens). São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
No trecho apresentado, os pioneiros sambistas João da Baiana, Sinhô e Donga são mencionados por seus apelidos de infância e não pelos seus nomes de batismo. Tal fato coloca em evidência
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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