A maioria de nós passa por algum trauma na vida – assalto, sequestro, acidente, desastre natural, abuso ou a perda repentina de alguém querido. E cerca de 10% dos que vivem um trauma (até 14% no caso das mulheres) vão desenvolver o chamado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Sentem tanto medo que chegam a se isolar do convívio social.
Muitos conseguem se curar total ou parcialmente com terapia. Outros nunca se recuperam. Nesses casos, descobriram que injeções de substâncias como cortisol reduzem a chance de sofrer os transtornos. Andero diz “daqui a cinco ou dez anos, tomaremos um comprimido após experiências ruins. A ideia da pílula do medo não é eliminar a memória do acontecimento, e sim as emoções negativas associadas a ele. Como todo medicamento, o perigo é o uso indiscriminado. Imagine um mundo onde ninguém tivesse medo de nada, nunca. Ele poderia evoluir de modo imprevisível, com explosões de violência e ondas de solidão. “Faz parte da vida sentir medo e ficar ansioso. O que temos que avaliar é o limite, ou seja, quando essas sensações se tornam insuportáveis. Aí sim merecem intervenções”, diz Saraiva. Para ele, a sociedade nunca teve tão pouca tolerância a emoções negativas. [...]. “Frente a qualquer sensação ruim, as pessoas já procuram tratamento como se não pudessem sentir o que sentem”.
(SZKLARZ, Eduardo. Medo, como vencer os seus. Revista Superinteressante, abr.2014 - Texto adaptado).
Considerando o texto acima, infere-se que