“À noite parecia-me ouvir passos no jardim. Por que diabo aquele Tubarão não ladrava? O safado do cachorro ia perdendo o faro
Erguia-me, pegava o rifle, soprava a luz, abria a janela:
— Quem está aí?
Seria inimigo, gente dos Gama, do Pereira, do Fidélis? Pouco provável. As ameaças tinham cessado: eu e Casimiro Lopes criávamos ferrugem. Instintivamente, resguardava-me colado à parede. Julgava distinguir um vulto.
— Quem está aí? É bicho de fôlego ou é marmota? Não responde não?
E lá ia no silêncio um tiro que assustava os moradores, fazia Madalena saltar da cama, gritando.
— Que foi? Gemia Madalena aterrada.
— São os seus parceiros que andam rondando a casa. Mas não tem dúvida: qualquer dia fica um diabo aí estirado.”
São Bernardo. Graciliano Ramos. 88ª ed.- Ed. Revista- Rio de Janeiro: Record, 2009.
Entre os vários talentos revelados durante o ciclo do regionalismo nordestino brasileiro, Graciliano Ramos foi o maior.
Autor de linguagem direta e correta, moldada em um estilo seco, conciso, com poucos adjetivos, Graciliano soube equilibrar a investigação profunda dos problemas sociais nordestinos com a análise psicológica de suas personagens, unindo o