A nova paisagem urbana, a modernização dos meios de comunicação, o impacto desses processos sobre os costumes, tudo isso constitui o marco e o ponto de resistência em relação ao qual se articulam as respostas produzidas pelos intelectuais. No intervalo de pouquíssimos anos, estes devem reprocessar, até em sua própria biografia, as mudanças que afetam as relações tradicionais, as formas de fazer e difundir cultura, os estilos de comportamento, as modalidades de consagração, o funcionamento das instituições. Como era de se esperar, as revistas tornam-se um instrumento de intervenção no novo cenário.
(Beatriz Sarlo. Paisagens imaginárias. Intelectuais, arte e meios de comunicação. Trad. Rubia Goldoni e Sergio Molina. São Paulo: Edusp, 1997. p. 215)
A urbanização e o incremento dos meios de comunicação no Rio de Janeiro e em São Paulo, no fim do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, devem ser compreendidos levando-se em conta alguns fatores, específicos de cada uma dessas localidades, que favoreceram esse processo. No caso do Rio de Janeiro, podemos citar, fundamentalmente,