A partir da leitura do fragmento a seguir e do poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira, assinale a alternativa correta.
“É no interior de um período em que se comemorava o primeiro centenário da independência, em meio a uma imensa modificação que o País vivia nos campos social, político e econômico, como a formação de novos partidos políticos, a participação feminina, o fim da Primeira Guerra Mundial e princípios da industrialização, que se forja a oportunidade de fundar uma nova estética e daí o advento da Semana de Arte Moderna, em 1922.
Resumidamente, são características da Semana: renovação nos princípios estéticos e liberdade temática e formal para enfrentar o conservadorismo, o tradicionalismo e o excessivo rigor estético, notadamente o ideário parnasiano.
Se, por um lado, os integrantes da Semana propunham a libertação dos valores estéticos e culturais recebidos desde o período colonialista de origem portuguesa, por outro firmaram-se nas proposições das chamadas Vanguardas Europeias, como cubismo, futurismo, dadaísmo, expressionismo e surrealismo.
Na literatura, tornaram-se marcas principais: a ruptura sintática, a linguagem informal, o regionalismo, os versos livres e sem métrica (sem medida fixa), os versos brancos (sem rimas) e o uso intensivo do sarcasmo e da ironia.”
“Os sapos”
“Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...”