A preguiça de pensar
Costuma-se dizer que o filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) denunciou o seguinte raciocínio: “Quando estamos doentes, só há duas possibilidades: ou ficamos curados ou continuamos doentes”.
Ao pensar dessa maneira, ignoramos a possibilidade de sermos curados em certa medida, mas não completamente, o que não nos impede de ter uma vida saudável.
De acordo com o raciocínio, um diabético, por exemplo, será sempre um doente, mesmo se sua vida for perfeitamente saudável tomando insulina.
Leibniz dizia que, por trás desse pensamento, há um fatalismo, ou seja, uma crença de que o futuro é sempre determinado, sem que as pessoas possam interferir nas determinações e relativizá-las.
Um raciocínio parecido com esse é o que diz: “Ou você é meu amigo ou é meu inimigo”. Não se leva em conta a possibilidade de que alguém não seja nosso amigo, mas também não seja nosso inimigo. É uma espécie de “raciocínio à George Bush”, ex-presidente norte-americano que gostava de tomar por inimigos quem não venerasse o american way of life (estilo de vida americano).
SAVIAN FILHO, Juvenal. Carta Capital (03/10/2014) Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/a-preguica-%E2%80%A8de-pensar/. Acesso em 21.04.16.
Por meio das ilustrações exploradas, o autor do texto “A preguiça de pensar” chama a atenção para o perigo de posicionamentos.