A prisão de lideranças dos movimentos de moradia em São Paulo, no âmbito das investigações sobre o incêndio e o desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida, deve ser considerada com cautela. É evidente que é necessário coibir a ação de criminosos que se têm misturado nos movimentos sociais de São Paulo e do País. Mas é preciso cuidado para não pôr em risco conquistas obtidas com extremo esforço por indivíduos e instituições que enfrentam o déficit habitacional, um dos grandes desafios urbanos de nosso tempo. As ocupações não são todas iguais. Quem acompanha a trajetória de organizações como a Frente de Luta por Moradia (FLM) ou o Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) conhece o extraordinário impacto positivo por elas provocado na vida de grande parcela da população em situação de vulnerabilidade. Nosso objetivo, aqui, é sublinhar essa diferença, para que as ações — legítimas e urgentes — do Ministério Público não ponham sob o mesmo rótulo movimentos pautados por objetivos e métodos antagônicos.
(Philip Yang et al. “Luta por moradia: por que criminalizar a cidadania?”. https://opiniao.estadao.com.br, 08.08.2019. Adaptado.)
No editorial, o ponto de vista manifesto afirma que as medidas do Ministério Público,