A questão incidem sobre os três fragmentos de texto a seguir, organizados em dois blocos (I, II). Com vozes de diferentes enunciadores, os três fragmentos são constitutivos de uma mesma matéria, que se pronuncia sobre temática(s) de extrema relevância para a sociedade, em especial a brasileira.
I
“Reconhecida em 2002, por meio de Lei (Lei 10.436, de 24 de abril de 2002), que, no parágrafo único do Art. 1º, a concebe como um “sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria” (BRASIL, 2002), a Libras é, assim como as demais línguas faladas no mundo, uma língua natural e como tal deve ser identificada.
Segundo Fernandes (2007, p. 33), é no uso desse idioma que se manifesta seu “universo metafórico, no qual os sinais são ‘manipulados’ de forma a seduzir, enganar, disfarçar, determinar...Testemunhamos o riquíssimo universo da polissemia e polifonia da língua da forma mais rica e diversa, em um contínuo de relações e situações determinadas pelo contexto, pelas expectativas dos interlocutores”.
[...]
“Enfim, a riqueza da Libras repousa justamente nesses elementos que chamaríamos extralinguísticos nas línguas faladas, mas que constituem a estrutura gramatical, semântica e discursiva da língua de sinais: movimentos de sobrancelhas, jogo de olhares, menear de ombros e de cabeça, ‘balanço’ ao sinalizar, leveza ou ênfase no movimento, duração do olhar ou do movimento no ar, maior amplitude do espaço de sinalização. Ou seja: um universo quase desconhecido para aqueles que ainda não experimentaram constituir sentidos com palavras-imagens.” (FERNANDES, 2007, p. 33)
II
“Durante uma festa junina promovida pelo Instituto Santa Teresinha, “evento que virou referência entre estudantes surdos de todo o país”, Paola Inglês Gomes, à época estudante da escola paulistana municipal “para deficientes auditivos”, conversava com um amigo de outro estado quando, entre risos, sinalizou que ele era um “palhaço”. O sinal indicava uma bola no nariz, assim como usam os palhaços. O rapaz não entendeu, e Paola precisou indicar o contexto da palavra, por meio de outros sinais” (BONINO, 2007, p. 28).
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“O que mais fascina na Libras são os artifícios usados pelos surdos para escapar dos olhos dos demais membros do grupo, em momentos em que necessitam endereçar mensagens subliminares, ou secretas, a algum interlocutor. Pela visualidade inerente à sinalização, inúmeros sinais ‘discretos’ são criados, reduzindo-se o espaço da sinalização ou o ponto de articulação de modo a não deixar pistas aos bisbilhoteiros” (FERNANDES, 2007, p. 33).
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xxx
“Em entrevista à Revista Língua, a psicóloga Walkiria Raphael, que, em 2007, trabalhava em parceria com o também psicólogo Fernando Capovilla na segunda edição do Dicionário Enciclopédico Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (Libras), afirmou: “Quando comparamos sinais usados por jovens surdos e surdos idosos [...], percebemos mudanças na forma e no conteúdo dos sinais, por vezes até condenados pelos mais velhos que se orgulham de utilizar ‘sinais puros’, sem a interferência do português, tal como o fazem as gerações atuais.” Respondendo a outra questão, a psicóloga responde que, do primeiro ao segundo dicionário: “[...] É como no português: ainda encontramos termos que não existem mais. Mas estão lá. O próprio sinal de Libras já mudou. Ainda assim, o outro sinal não deixou de ser usado. Como há pessoas que só conhecem as versões antigas das palavras, preferimos não eliminar esses termos.” (BONINO, 2007, p. 31). (BONINO, Raquel. Revista Língua, ano II, n. 25, p. 28-33, 2007). Com recortes e adaptações).
No segundo bloco (II), os três parágrafos são unidos por uma linha temática central, que corresponde ao que se apresenta na alternativa: