A questão refere-se ao poema “XXI”, contido em UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO, primeira parte da obra O livro das ignorãças, de Manoel de Barros.
X
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I
Ocupo muito
de mim com o meu
desconhecer.
Sou um sujeito letrado em dicionários.
Não tenho que 100 palavras.
Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais
ou no Viterbo –
A fim de consertar a minha ignorãça,
mas só acrescenta.
Despesas para minha erudição tiro nos
almanaques:
- Ser ou não ser, eis a questão.
Ou na porta dos cemitérios:
- Lembra que és pó e que ao pó tu voltarás.
Ou no verso das folhinhas:
- Conhece-te a ti mesmo.
Ou na boca do povinho:
- Coisa que não acaba no mundo é gente besta e
pau seco.
Etc
Etc
Etc
Maior que o infinito é a encomenda.
BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. p. 304.
Em “Sou um sujeito letrado em dicionários”, “Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais” “ou no Viterbo” e “mas só acrescenta”, é visível o diálogo com um verso do poema “Poética”, de Manuel Bandeira: “Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo”.
Sobre a relação intertextual entre esses versos, no contexto do poema, é correto afirmar que os versos de Manoel de Barros: