A rádio CBN reapresentou uma reportagem na qual dois repórteres, um negro e outro branco, de
idades próximas e vestindo roupas parecidas, testaram o atendimento que receberiam em
estabelecimentos comerciais cariocas.
O tratamento dado ao negro foi sistematicamente pior e em boa parte das vezes nem sequer foi
[5] atendido. Em uma loja de roupas masculinas, ao branco foi oferecido um terno de maior qualidade, e, ao
negro, o mais barato.
O diabo é que os preconceitos se devem a uma poderosa capacidade humana, a de fazer
generalizações a partir de experiências limitadas. Poderosa, mas falível. Preconceitos como o racismo ou o
sexismo são frutos de generalizações indevidas e estigmatizadoras. Porém, sem conceitos prévios
[10] (preconceitos), que permitam tomar decisões rápidas, teríamos dificuldade para fazer coisas simples,
como dirigir ou escolher um restaurante sem ter uma indicação.
Ainda assim, vale uma constatação etimológica: preconceito é sinônimo de prejuízo. Nossos
antepassados, ao criar suas línguas, perceberam que conceitos ou juízos prévios costumam levar a perdas,
a ideias equivocadas.
M. Miterhof, Folha de S. Paulo. 31/01/2013. Adaptado.
Zeugma é um caso especial de elipse que consiste na omissão de um termo expresso anteriormente. Esse recurso foi usado de forma inadequada para o sujeito da seguinte frase do texto: