A tevê ligada, a sala mergulhada no silêncio de luzes e de vozes de gente-gente (só chegavam as dos de dentro da tevê), nós dois juntos e tão distantes. Os olhos dele nas imagens de algum programa de humor qualquer; os meus, no seu rosto vincado de rugas. Éramos dois emudecidos. Um, talvez, esperando que o outro proferisse palavra que fosse ponte.
Eu tentei (acho que tentei) algumas vezes quebrar o muro. Mas minha marreta era frágil.
RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p. 18.
Tendo em vista a temática central da obra, as metáforas da ponte e do muro têm por objetivo