A velha conduziu o rapaz até um quarto no fundo da casa, separado da sala por uma cortina feita de tiras de plástico colorido. Lá dentro havia uma mesa, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e duas cadeiras.
A velha sentou-se e pediu que ele fizesse o mesmo. Depois segurou as duas mãos dele e rezou baixo.
Parecia uma reza cigana. O jovem pastor já havia encontrado muitos ciganos pelo caminho; eles viajavam e entretanto não cuidavam de ovelhas. As pessoas diziam que a vida de um cigano era sempre enganar os outros. Diziam também que eles tinham pacto com demônios e que raptavam crianças para servirem de escravas em seus misteriosos acampamentos. Quando era pequeno, o rapaz morria de medo de ser raptado pelos ciganos, e esse temor antigo voltou enquanto a velha segurava suas mãos.
COELHO, Paulo. O Alquimista. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. p. 29.
Considerando a narrativa, compreende-se que o trecho denuncia