1964
Abril, 1 − E, de repente, foi-se o Governo Goulart, levando consigo o Comando Geral dos trabalhadores. Em menos de dois dias, tudo se esfarelou. O Presidente da República, tão seguro de si ao falar aos “senhores sargentos”, fugiu de avião para lugar ainda não sabido. Não tinha a força que pensava − e que outros pensavam que ele tivesse.
Abril, 13 − Baixado Ato Institucional, que atenta rudemente contra o sistema democrático. O Congresso, já tão inexpressivo, passa a ser uma pobre coisa tutelada. Vamos ver o que será das liberdades públicas.
(Carlos Drummond de Andrade. O observador no escritório. Rio de Janeiro: Record, 1985. p. 148 e 149)
Ainda no livro O observador no escritório, em que Drummond publica impressões e reflexões anotadas ao longo dos anos, lê-se a seguinte nota, datada de 12 de abril de 1945:
Nunca pertencerei a um partido, isto eu já decidi. Resta o problema da ação política em bases individualistas, como pretende a minha natureza.
O problema a que se alude na nota acima espelha-se em vários versos do poeta, como estes: