Adeus a Sete Quedas
Sete quedas por mim passaram, e todas sete
se esvaíram.
Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele
a memória dos índios, pulverizada,
já não desperta o mínimo arrepio.
Aos mortos espanhóis, aos mortos bandei-
rantes, aos apagados fogos
de Ciudad Real de Guaíra vão juntar-se
os sete fantasmas das águas assassinadas
por mão do homem, dono do planeta.
[...]
Faz-se do movimento uma represa, da agita-
ção faz-se um silêncio empresarial, de hi-
drelétrico projeto. Vamos oferecer todo o
conforto que luz e força tarifadas geram
à custa de outro bem que não tem preço nem
resgate, empobrecendo a vida
na feroz ilusão de enriquecê-la.
[...]
(Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Jornal do Brasil, Ca-derno B, 09 de set. 1982)
O poema, publicado no Jornal do Brasil, no ano de 1982, em decorrência da construção da barragem de Itaipu e do consequente alagamento das Sete Quedas do rio Paraná, na cidade de Guaíra.
A construção da Hidrelétrica Itaipu Binacional fez parte de um conjunto de medidas decorrentes do denominado "Milagre econômico".
Sobre o milagre econômico é possível afirmar que: