Afinal, se meu pai me rendeu um quase nada de carinho e de cuidados, também não me deu tios, nem avós, nem primos nem primas. Apenas aquela velha ranzinza a quem temíamos e a quem chamávamos de tia (tia Maria: uma tia que não era.), mulher também de poucas palavras, de poucos afagos e de muitas rezas, que se perdia a entoar Pai-Nossos e Ave-Marias, que rezava pelas dores do mundo, pelos sofrimentos de todos, mas não pelos meus ou pelos do meu pai, que – afinal de contas – deviam ser os mesmos.
RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p. 13.
Na caracterização de tia Maria, o narrador enfatiza a