Ailton Krenak, em Ideias para adiar o fim do mundo, livro resultante de uma entrevista e duas palestras que fez em Portugal, nos coloca algumas reflexões:
Como os povos originários do Brasil lidaram com a colonização, que queria acabar com o seu mundo? Quais estratégias esses povos utilizaram para cruzar esse pesadelo e chegar ao século XXI ainda esperançado, reivindicando e desafiando o corte dos contentes? As diferentes manobras que os nossos antepassados fizeram e me alimentei delas, da criatividade e da poesia que inspirou a resistência desses povos. A civilização chamava aquela gente de bárbaros e imprimiu uma guerra sem fim contra eles, com o objetivo de transformá-los em civilizados que poderiam integrar o clube da humanidade. [...] Eles não se renderam porque o pragmatismo proposto era um erro: "A gente não quer essa bubuia". E os caras: "Não, toma essa bubuia. Toma a Bíblia, toma a cruz, toma o colégio, toma a universidade, toma a estrada, toma a ferrovia, toma a mineradora, toma a porra".
Fonte: KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 28-30.
Diante dessas reflexões de Krenak, entender