Ainda continuo um pouco sem jeito na minha nova função daquilo que não se pode chamar propriamente de crônica. E, além de ser neófita no assunto, também o sou em matéria de escrever para ganhar dinheiro. Já trabalhei na imprensa como profissional, sem assinar. Assinando, porém, fico automaticamente mais pessoal. E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma. Falei nisso com um amigo que me respondeu: mas escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro, a gente se expõe muito. Embora uma amiga médica tenha discordado: argumentou que na sua profissão dá sua alma toda, e, no entanto, cobra dinheiro porque também precisa viver. Vendo, pois, para vocês com o maior prazer uma certa parte de minha alma – a parte de conversa de sábado. Só que, sendo neófita, ainda me atrapalho com a escolha dos assuntos.
LISPECTOR, Clarice. Disponível em: https:// singrandohorizontes.blogspot.com/2016/09/clarice-lispectoramor-imorredouro.html. Acesso em: 12 abr. 2022.
Nesse texto de Clarice Lispector, observa-se que predomina a função da linguagem cujo foco está no(a)