Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas.São Paulo: FTD, 1998.
A propósito do texto, seguem duas afirmativas ligadas pela palavra PORQUE:
O trecho, por meio de ironia, apresenta uma característica marcante que o faz representante do Realismo.
PORQUE
O trecho apresenta o fato de alguém narrar na condição de um “ defunto autor”, referindo-se a uma narrativa irreal depois de morto.
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