UNESP 2026 · Questão 36
Analise o excerto do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1904.
Mas o que é que há? perguntou Aires.
A república está proclamada.
Já há governo?
Penso que já; mas diga-me V. Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro. Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. "Confeitaria do Império", a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. Ex.ª crê que, se ficar “Império”, venham quebrar-me as vidraças?
Isso não sei.
Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo.
Mas pode por "Confeitaria da República"...
Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dous meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro.
(Machado de Assis. Obra completa, 1986.)
O excerto mostra um diálogo do proprietário de uma confeitaria com outro personagem, o Conselheiro Aires. No diálogo, o dono da confeitaria expressa
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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