Antes da Idade Média, a ideia ocidental de cidade provinha dos gregos. E o coração da cidade grega era a cidadela, lugar onde se erguiam os santuários das divindades. Depois os romanos adaptaram essa ideia e criaram um núcleo urbano ligado aos deuses. Esses locais podiam ser cercados por muralhas. A ideia de cidadão ou cidadania não se restringia aos que moravam dentro das zonas dos principais edifícios. Aquele que pertencia à cidade pertencia a um mundo ordenado. Nesse caso então o critério de separação dos mundos não era uma muralha, mas uma abstração construída pelos homens. A lei.
A partir do ano 1000, a cidade não seria mais identificada somente pelo corpo de leis gerado pela comunidade. A sua estrutura geográfica também foi fundamental na elaboração de sua individualidade. Pouco a pouco surgiram instituições administrativas, militares e diplomáticas próprias aos espaços urbanos. E o mais importante: nasce uma consciência cívica local. Uma ligação moral e sentimental com a cidade em que se vive.
(Tereza Aline Pereira de Queiroz. Cidades renascentistas, 2005. Adaptado.)
Ao tratar da ideia de cidade na Antiguidade e na Idade Média, a historiadora destaca, em comum,