Antes mesmo do indianismo e do regionalismo, a ficção brasileira, desde os anos de 1840, se orientou para outra vertente de identificação nacional através da literatura: a descrição da vida nas cidades grandes, sobretudo o Rio de Janeiro e áreas de influência, o que sobrepunha à diversidade do pitoresco regional uma visão unificadora. Se por um lado isto favoreceu a imitação mecânica da Europa, e portanto uma certa alienação, de outro contribuiu para dissolver as forças centrífugas, estendendo sobre o País uma espécie de linguagem culta comum a todos e a todos dirigida (...), que contrabalança o particular de cada zona.
(Antonio Candido. A educação pela noite. São Paulo: Ática, 1987. p. 203)
Elementos importantes da vida no Rio de Janeiro, entre os quais se destacam tipos representativos da sociedade do “tempo do Rei”, ganharam relevo