“Ao final de três séculos, a população da colônia portuguesa era quase a mesma de 1500, com a diferença de que tinham desaparecido 3 milhões de nativos, média de um milhão por século. [...] Algum chato poderá mesmo perguntar por que não se aproveita o ímpeto celebratório [em 2000] para uma ação em benefício dos que pagaram a conta desses 500 anos.”
(CARVALHO, José Murilo. O encobrimento do Brasil. Jornal Folha de São Paulo, Caderno Mais, 03/10/1999, p. 3).
“No final da década de 1980, o líder indígena yanomami, Davi Kopenawa, deixava sua aldeia, na floresta amazônica, para denunciar na Organização das Nações Unidas (ONU) que a terra de seu povo havia sido invadida por 40.000 garimpeiros em busca de ouro. Um levantamento oficial realizado na época constatou a presença de 82 pistas clandestinas de vôo, usadas para levar esses trabalhadores ao centro da floresta, 200 balsas que bombeavam cascalho atrás do minério e cerca de 500 barracas espalhadas por três acampamentos localizados dentro de aldeias yanomami. Como resultado, estima-se que cerca de 20% da população indígena local tenha morrido por doenças, como malária, por fome ou vítima de outros impactos causados pela mineração, aponta um documento feito pelas associações dos povos indígenas locais com o Instituto Socioambiental (ISA), que começará a ser divulgado neste mês.”
(Fonte: El País, 24/04/2017. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/20/politica/1492722067410462.html)
Sobre o encontro entre grupos indígenas e europeus no Brasil e algumas de suas repercussões até os tempos atuais, avalie as afirmações a seguir.
I - A posse e a garantia de suas terras é a maior reivindicação dos povos indígenas brasileiros na atualidade. A terra é a raiz de valores fundamentais para suas culturas e permitem que possam viver segundo seus próprios padrões sociais e culturais coletivistas.
II - Além de provocar intensa mortalidade pela transmissão de doenças, captura e escravização, a ação do colonizador acabou por dividir o povo indígena uno e coeso que vivia no Brasil em diferentes grupos indígenas que, a partir daí, passaram a guerrear entre si.
III - A expansão do agronegócio e de atividades de extração mineral, ocupando papel fundamental na balança comercial brasileira, tem sido fator de pressão mesmo sobre terras indígenas demarcadas, levando a conflitos e fragilização dos povos indígenas.
IV - Os contatos entre indígenas e europeus, relativamente pacíficos no início, tornaram-se cada vez mais violentos com a inserção dos índios como escravos no sistema colonial açucareiro. Tal padrão de violência e negação cultural ainda persiste, por outros meios, no convívio atual entre indígenas e o restante da sociedade brasileira.
É correto apenas o que se afirma em