Ao sul fica Hoxton, região de ruas de feira, malcheirosas, de fábricas, depósitos de madeira, armazéns imundos, de becos onde fervilham pequenas lojas e oficinas, de travessas infectas que levam a uma escuridão pestilenta; por toda parte o trabalho em suas formas mais degradantes; as vias trovejando de carroças superlotadas, as calçadas pisadas por trabalhadores da espécie mais grosseira, as esquinas e recantos exibindo a mais feia miséria. Caminhando em direção ao norte, o explorador vai encontrar um ar mais limpo, ruas mais amplas, num bairro estritamente residencial; as estradas parecem entregues aos leiteiros, vendedores de carne de gato e fruteiros. Aqui encontram-se ruas em que há placas anunciando quartos para alugar em cada janela; outras proclamam uma respeitabilidade superior, casas recuadas por trás de pequenos jardins [...].
(George Gissing apud Raymond Williams. O campo e a cidade, 2011.)
Ao descrever Londres no final do século XIX, o autor mostra que