Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
MEIRELES, Cecília. Pássaro. Seleta em prosa e verso. 2a ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. p. 30.
MEIRELES, Cecília. Pássaro. Seleta em prosa e verso. 2a ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. p. 30.
O texto sugere que a