As mulheres gastam mais do que o dobro do tempo dos homens no Facebook: três horas por dia, enquanto
eles gastam uma hora, em média. (...) Elas são a maioria não só no Facebook (onde representam 57% dos usuários);
também têm mais contas do que os homens em 84% dos 19 principais sites de relacionamentos.
(...) cabe, antes, compreender por que a autorrepresentação é mais importante para as mulheres que para os
[5] homens. Historicamente as representações femininas foram fabricadas por motivações sociais diversas: míticas,
religiosas, políticas, patriarcais, estéticas, sexuais e econômicas. E, há mais de vinte séculos, essa fabricação esteve
sob o poder masculino. As mulheres não produziam suas próprias imagens, eram retratadas.
(...) O pano de fundo dessas produções artísticas era uma tentativa masculina de “gerenciar” o imaginário
feminino, transmitindo sugestões sobre a conduta social desejada até uma estética sexual e familiar. (...)
[10] Quando a era moderna pareceu, enfim, trazer a emancipação da mulher, a conquista revelou-se
contraditória. Estar na moda, ser magra, bem-sucedida e boa mãe tornou-se uma exigência. Com a ajuda do
photoshop, top models, estrelas de televisão e cantoras exibem nos meios de comunicação o êxito que conquistaram
em todos os aspectos do sucesso – o que, na prática, nem sempre é verdade. Elas, em geral, são tão “irreais” quanto
a Vênus grega. A verdade é que a mídia veicula uma série de estereótipos sobre como agir que se tornam um peso
[15] para a mulher. Não devemos nos esquecer de que quem assume o comando é o mercado interessado em vender
roupas, revistas e produtos destinados ao público feminino – e não propriamente a mulher. Assim, mesmo no século
20, quando pareciam ganhar “autonomia”, elas passaram a ser atormentadas por padrões estabelecidos por outra
base imaginária: a do consumo.
O que muda no século 21 para as mulheres que utilizam as redes sociais? Quanto à importância da imagem,
[20] nada. (...) Por outro lado, vivemos, sim, uma revolução: pela primeira vez a mulher passa a se autorrepresentar, a
produzir representações de si publicamente. Essa produção não está mais sob o domínio exclusivo dos homens, nem
restrita a um grupo de mulheres como as artistas (atrizes, fotógrafas, cineastas, pintoras, escultoras etc.) ou as
modelos. As mulheres comuns tornam-se protagonistas de sua vida. Chegam a dispensar a ajuda de outra pessoa
para tirar a própria foto: estendem o braço e miram em sua própria direção. (...)
[25] A mulher “hipermoderna” reivindica algo novo: o seu protagonismo público e sua “autenticidade”. O que se
soma, agora, à revolução tecnológica da sociedade capitalista. Com acesso facilitado a câmeras digitais, a telefones
móveis que dispõem desse equipamento e à rede, além da existência de uma plataforma que dá suporte ao
armazenamento e oferece possibilidades ao usuário para compartilhar essas imagens pela internet, a mulher passa a
se autofotografar nas mais diversas ocasiões, de situações corriqueiras a viagens. Nas palavras do filósofo Gilles
[30] Lipovetsky: “O retrato do indivíduo hipermoderno não é construído sob uma visão excepcional. Ele afirma um estilo
de vida cada vez mais comum, ‘com a compulsão de comunicação e conexão’, mas também como marketing em de si,
cada um lutando para ganhar novos ‘amigos’ para destacar seu ‘perfil’ por meio de seus gostos, fotos e viagens.
Uma espécie de autoestética, um espelho de Narciso na nova tela global”.
(http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/facebook_o_novo_espelho_de_narciso.html)
De acordo com o texto, o Facebook