As origens das práticas médicas remontam aos primórdios das civilizações mais antigas. Houve mudanças significativas na forma, na gestão, no conhecimento e na conduta dos médicos profissionais através da história. O uso excessivo de medicamentos e de solicitações de exames diagnósticos foi recentemente discutido com frequência, bem como suas muitas implicações no tratamento de pacientes.
Se a história se repete, o passado é um bom guia para o futuro. A falta de dados confiáveis impede uma investigação precisa da prevalência de uso excessivo de remédios antes da última década. A análise do passado é feita a fim de encontrar respostas para fenômenos atuais. As pistas podem ter sido apagadas na época, ou talvez os instrumentos existentes não possam encontrar evidências ou provas da ocorrência de tal conduta.
Apesar de os médicos, rotineiramente, fazerem uso de princípios do método científico, ou seja, coleta de informações por meio de anamnese, exame físico sequencial e formulação de hipótese diagnóstica, isso não necessariamente resulta em procedimentos racionais que representam economia no pensamento ou nas ações fundamentadas na maior probabilidade de benefícios para o paciente. A atenção e a reflexão sobre os acontecimentos da atualidade podem fundamentar e sustentar a ideia de que o modus operandi da cognição humana, bem como suas ações, não mudou por milhares de anos.
Uma revisão de literatura conclui que o uso excessivo de medicamentos não é um fenômeno recente, sendo, possivelmente, inerente à espécie humana. Independentemente das evoluções técnicas, manteve-se presente desde os primórdios da atividade médica.
É uma tarefa difícil identificar hábitos profundamente enraizados nas rotinas profissionais. No entanto uma proposta razoável está utilizando treinamento e educação continuada, enfatizando feedback e correções de práticas. Algumas previsões apontam para a apropriação de certas funções médicas por máquinas e softwares acionados por inteligência artificial, considerando que eles alcancem diagnósticos melhores e mais precisos do que os humanos.
Esse movimento de acesso mais amplo à tecnologia médica deve ser apoiado por profissionais experientes que, por sua vez, reconhecem que a tecnologia e os serviços fornecidos por software, algoritmos, inteligência artificial, modelos preditivos e calculadoras podem ser usados como instrumentos para ajudar a melhorar atividades mais refinadas que resultem em melhoria positiva para a prática profissional.
Com cuidados cartesianos, além da vigilância e manutenção da ética médica, como guardiões de sua melhor prática, caberá também aos médicos um retorno filosófico aos desígnios das origens hipocráticas, como eternos cuidadores dos doentes e veneráveis guardiões da boa ciência médica, considerada seu principal legado. Esses aspectos, juntamente com raciocínio e sabedoria para se destacar na conduta e na prática médica, têm o potencial para, finalmente, realizar os milagres da nova era de dar aos cuidados de saúde o uso mais adequado, preciso, elegante, econômico e diferenciado do conhecimento e dos métodos disponíveis na Medicina.
LOPES, João Ricardo Pinto et al. Uso excessivo: novidade médica ou fenômeno antigo? Adaptado. Tradução de Overuse: medical novelty or age-old phenomenon? Journals Bahiana School of Medicine and Public Health.
Nesse artigo, os enunciadores do discurso