Assim, a classe média não pode identificar-se integralmente, no plano ideológico-político, com o proletariado (fabril, comercial ou dos transportes). Em consequência, a classe média não pode participar da direção de um processo revolucionário de construção do socialismo, justamente por ser incapaz de impor a tal processo (do qual a supressão de propriedade privada dos meios de produção é apenas um dos momentos) uma verdadeira direção revolucionária: a da supressão da divisão capitalista do trabalho. Essa é a contradição ideológica própria da classe média: enquanto expressão privilegiada da divisão capitalista do trabalho, tende a ser atraída para o campo ideológico da burguesia; enquanto classe trabalhadora, tende a solidarizar-se com o proletariado. Noutras palavras, a classe média pode tanto aliar-se politicamente à burguesia (ou a uma das frações burguesas), quanto pode unir-se politicamente ao proletariado em lutas que não ultrapassem um certo limite: o da supressão da divisão entre trabalho manual e trabalho não-manual.
(Décio Azevedo Marques de Saes, Classe Média e Políticos no Brasil)
É possível inferir do texto que a classe média: