Assim como Luís Gonzaga, muitos dos implicados no
movimento de 1798 – diversos deles escravos – mostravam-
-se capazes de ler e escrever, algo pouco comum naquela
época para alguém de condição inferior como a deles.
De Gonzaga, apreenderam-lhe alguns textos. Dentre eles,
três curtas obras francesas. Em uma dessas obras, em certo
passo, por exemplo, referindo-se aos excessos da monarquia
francesa, exclamava-se que a escravidão “é a vergonha do
ente nascido”, “a nulidade da vida”, “o opróbio da existência”.
A escravidão da França em 1789 não era a dos escravos
castigados na América em 1798. E tudo isso não eram luzes
francesas, mas descontentamentos baianos.
Então, de suas letras, o que fez Luís Gonzaga? De um
lado, elas conscientizaram-no das injustiças da sociedade
em que vivia. Do outro, com boa probabilidade, levaram-no a
redigir os 13 pasquins que apareceram afixados nas paredes
de Salvador em agosto de 1798.
(Guilherme Pereira das Neves. “As letras do enforcado”. Revista de História da Biblioteca Nacional, julho de 2015. Adaptado.)
De acordo com o excerto, é correto afirmar que