Cada ano, vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil convento nem casa. Sobre esta gente, quanto ao temporal, não houve até o presente coação ou governo algum bem ordenados, e apenas se guardam algumas leis, que pertencem às datas e repartições dos ribeiros. No mais, não há ministros nem justiças que tratem ou possam tratar do castigo dos crimes, que não são poucos, principalmente dos homicídios e furtos.
Fonte: Antonil, João André. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. Republicação. Belo Horizonte: Itatiaia/Edusp, 1982. Coleção Reconquista do Brasil.
Em relação à situação expressa por João André Antonil, é CORRETO afirmar que resultou no(a)