CAMINHO DO SERTÃO
A meu irmão João Câncio
Tão longe a casa! Nem sequer alcanço
Vê-la através da mata. Nos caminhos
A sombra desce; e, sem achar descanso,
Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos!
É noite já. Como em feliz remanso,
Dormem as aves nos pequenos ninhos...
Vamos mais devagar ... de manso em manso,
Para não assustar os passarinhos.
Brilham estrelas. Todo o céu parece
Rezar de joelhos a chorosa prece
Que a noite ensina ao desespero e à dor...
Ao longe, a lua vem dourando a treva...
Turíbulo imenso para Deus eleva
O incenso agreste da jurema em flor.
SOUZA, Auta de. Caminho do sertão. In:______. Horto, outros poemas e ressonâncias: obras reunidas. Natal: EDUFRN, 2009. p. 98.
Em contraposição à solidão, ao desespero e à dor que o “eu-lírico” projeta no poema, o segundo quarteto acentua