Clave de sol
[1] Nos últimos meses, tenho recebido visitas rigorosamente insólitas. Ocorrem,
sempre, entre uma e duas horas da manhã e, também sempre, quando ao som de
Bach, Scarlatti ou Chopin, Brahms, Beethoven ou Falla, mantenho a sala na penumbra
e vagueio entre a vigília e o sono. Há, então, uma atmosfera densamente favorável à
[5] presença de personagens raríssimos, desusados, vivos ou mortos, e até mesmo
daqueles que muitos julgam simplesmente imaginários. Tento dizer que a sala ganha
forma e cores mágicas, onde tudo é possível, eis que se transforma em um palco
surrealista, no qual se mesclam realidade e fantasia.
Dia 2 de janeiro, duas horas da manhã, a última pessoa de quem poderia eu
[10] esperar a visita, sobretudo por impropriedade de calendário, foi precisamente a que
chegou. A campainha soou duas vezes. Abri a porta.
HAMMS, Jair Francisco. O detetive de Florianópolis. Fpolis: Ed. da UFSC, 2013, p. 97.
Assinale a alternativa incorreta em relação ao conto Clave de sol, Jair Francisco Hamms, e ao Texto 1.