Com Bopp em cima de si, Opalka não conseguia se concentrar na leitura, mas seguia fingindo que lia atentamente. Bopp abaixou a cabeça até perto do jornal, como se tivesse dificuldade para enxergar as pequenas letras impressas. Opalka revirou os olhos e suspirou fundo. Bopp se curvou ainda mais, interpondo-se quase totalmente entre Opalka e o jornal. [...].
– Onde foi mesmo que o senhor aprendeu português?
Opalka respirou fundo e encarou Bopp, que continuava em pé à sua frente, quase em cima de si devido ao espaço reduzido da cabine.
– No Brasil – respondeu.
– No Brasil? Que interessante! – disse Bopp, todo sorridente, acrescentando, orgulhoso. – Eu sou de lá.
– Não me espanta – falou Opalka, circunspecto.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 37-38. (Adaptado)
Considerando o contexto da narrativa, a reação de Opalka ao final do fragmento explora um humor estereotipado, ao associar o povo brasileiro a um comportamento