Com relação ao fragmento a seguir, retirado do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, assinale o que for correto.
“Pau-Mulato: bela rubiácea. E que apelido para uma mulher!
O apelido foi o de menos. Depois de Dália, Zana pensou que o Caçula ia desistir de amar alguém. Não desistiu; não era tão fraco assim. Além disso, as mulheres da casa não saciavam a sede do Caçula. E o aventureiro, quando menos espera, cai na malhadeira e se enrosca.
Desta vez Halim parecia baqueado. Não bebeu, não queria falar. Contava esse e aquele caso, dos gêmeos, e de sua vida, de Zana, e eu juntava os cacos dispersos, tentando recompor a tela do passado.
‘Certas coisas a gente não deve contar a ninguém’, disse ele, mirando nos meus olhos.
Relutou, insistiu no silêncio. Mas para quem ia desabafar? Eu era seu confidente, bem ou mal era um membro da família, o neto de Halim.”
HATOUM, M. Dois irmãos São Paulo: Cia das Letras, 2003, p. 134.
01) “Pau-Mulato”, apelido dado por Zana à mulher que seu filho Omar escolhera para namorar, foi a única que não cedeu à força desestabilizadora da mãe, que sempre expulsou todas as mulheres que se aproximavam dele.
02) Yaqub é o irmão caçula. Embora ele fosse muito mulherengo, sua mãe Zana tinha esperança de que ele abandonasse a vida boêmia. Ela havia expulsado outras mulheres de Yaqub de sua casa. No entanto, as relações entre Pau-Mulato e o Caçula pareciam ir a rumo diferente, o que desesperou a mãe, ao ver seu filho adorado nos braços dessa mulher.
04) No fragmento acima, o narrador Nael aproveita o ensejo do clima de confissão e de cumplicidade entre ele e Halim para mostrar ao leitor que ele é neto de Halim e, portanto, um membro da família.
08) A mãe do Caçula tem uma postura dominadora sobre o filho, principalmente no que diz respeito às mulheres, quase sempre conseguindo colocar fim aos relacionamentos amorosos do filho, que obedecia, na maioria das vezes. No entanto, quando Pau-Mulato entra na vida dele, as coisas mudam, e ele não desiste de amá-la, como mostra o narrador: “Não desistiu; não era tão fraco assim”, o que expressa, também, um juízo de valor do narrador sobre a personagem.
16) O narrador nunca foi bem aceito pela família, nunca foi reconhecido oficialmente como neto, como filho de um dos gêmeos. Nael, desse modo, sempre ocupou um lugar periférico na família. Halim, por falta de opção, acaba transformando o narrador em seu confidente, por isso a assertiva: “bem ou mal era um membro da família, o neto de Halim.”