FUVEST/OBJ 2025 · Questão 11
Com um dispositivo que cabe na palma da mão ou no colo, pode-se a qualquer momento conversar com a família que está a milhares de quilômetros de distância, em uma outra zona climática, onde se vive em outra parte do dia. Um turista que percorre o Tibete se conecta em poucos segundos com sua casa num pequeno município na Polônia. As pessoas que antigamente não teriam chance nenhuma de se conhecer hoje têm contato através da mídia.
Para os nossos cinco sentidos, o mundo se tornou pequeno. Por outro lado, a visão do globo terrestre, em uma foto tirada no espaço por um ser humano, é comovente, de tirar o fôlego. Uma pequena bolinha azul-verde suspensa no vazio. Pela primeira vez na história, como finito e limitado, percebemos o nosso lugar, em escala planetária, como finito e limitado, frágil e vulnerável à destruição.
Junto com isso, vem a sensação de superlotação, do espaço limitado, do acanhamento, da constante presença dos outros – a sensação de finitude do mundo vivenciado se torna então claustrofóbica. Não estranha, portanto, que estejam retornando cada vez os sonhos com viagens cósmicas, com abandonar a casa antiga que se revelou demasiadamente conhecida, apertada e cheia de quinquilharias que restringem a liberdade.
(Olga Tokarczuk. Escrever é muito perigoso: ensaios e conferências. São Paulo: Todavia, 2023. Texto adaptado.)
Nos trechos "onde se vive em outra parte do dia” e "pessoas que antigamente não teriam chance nenhuma de se conhecer", considerando-se a função sintática e a classe morfológica do se, temos, respectivamente,
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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