Conhecidos os resultados do pleito de 3 de outubro de 1955, podia-se ler em vários jornais que o eleitorado de Juscelino Kubitschek era “formado pela massa ignorante, sofredora, desiludida, trabalhada pela mais sórdida das demagogias e envenenada pela propaganda solerte do Partido Comunista”. Tratava-se de uma nota da Cruzada Brasileira Anticomunista, uma das primeiras manifestações da interminável série de combates que a direita brasileira moveria contra a posse dos eleitos JK e Jango. A cruzada tinha pouca expressão, a não ser num restrito círculo de militares e civis de nítida vocação fascistoide. Mas sua pregação era encampada também pelos mais radicais da UDN, como Carlos Lacerda, que clamava pelo caráter “comunista” dos sufrágios do presidente eleito.
MARANHÃO, Ricardo. O governo Juscelino Kubitschek. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 31 (Coleção Tudo é história; 14).
Entre os motivos e argumentos que quase impediram que o presidente Juscelino Kubitschek assumisse a presidência da República, depois de eleito democraticamente para o cargo em 1955, não podemos incluir