Considere este trecho da crônica “A música da alma”, de Rubem Alves
Angelus Silesius (1624-1677), místico que só escrevia poesia, disse o seguinte: “Temos dois olhos. Com um contemplamos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro contemplamos as coisas da alma, eternas, que permanecem”. Eis aí um bom início para compreender os mistérios do olhar. Para entender os mistérios do ouvir, eu escrevo uma variação: “Temos dois ouvidos. Com um escutamos os ruídos do tempo, passageiros, que desaparecem. Com o outro ouvimos a música da alma, eterna, que permanece”.
ALVES, Rubem. A música da alma. Revista Prosa e Verso. Disponível em: https://www. revistaprosaversoearte.com/a-musica-da-alma-umaextraordinaria-cronica-de-rubem-alves/. Acesso em: 30 ago. 2019. (Fragmento)
No parágrafo, o cronista faz uma intertextualidade com a citação de Angelus Silesius de forma a